Luta dos povos indígenas é destaque em Seminário sobre Amazônia

A luta das populações indígenas em defesa de seus territórios foi uma das principais pautas do segundo dia do Seminário “Amazônia, entre saques e resistências”, que a ADUFPA promove até esta sexta-feira, 18, na UFPA. O assunto foi discutido durante uma mesa de debates que lotou o Auditório do Instituto de Ciências da Educação (Iced) e contou com as exposições dos indígenas Josiel Juruna, Vera Aparapiuns e Sarapó e Itahu Ka’apor.

Durante o debate, os indígenas criticaram o governo federal, analisaram os impactos dos grandes empreendimentos na Amazônia e denunciaram ameaças de morte e invasão de seus territórios por madeireiros e latifundiários.

Morador da Volta Grande do Rio Xingu, Josiel Juruna pertence a um dos povos mais impactados com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte. Ele lembrou, entre diversos impactos, a obra gerou o desaparecimento de espécies de peixes ornamentais, prejudicando um dos focos de geração de renda da comunidade indígena.

Segundo ele, a Hidrelétrica de Belo Monte mudou a cultura e o modo de vida do povo Juruna. “As barragens de Belo Monte impactaram muito em nossa região. Peixes que a gente comia hoje não tem mais. Nossos filhos não podem mais banhar na beira do rio e nosso modo de pesca mudou, pois não temos mais como usar arco e flecha e somos obrigados a sair de nosso território para pescar”, relatou Josiel.

Natural do Baixo Amazonas, Vera Arapiuns destacou a importância dos rios, da terra e da floresta e relatou o processo de organização dos indígenas para defesa do território. Ela também criticou a implantação dos grandes projetos na Amazônia. “Quando chega um empreendimento, eles prometem que irão gerar empregos, mas depois que acabam as construções, estamos todos desempregados e, o que é pior, não podemos mais plantar, colher, pescar, pois não temos mais nossas terras, rios e florestas”, assegurou Vera, que atualmente é estudante do mestrado em Diversidade Sociocultural do Museu Paraense Emílio Goeldi.

O debate contou, ainda, com as exposições dos integrantes do Conselho de Gestão Ka’apor, do Maranhão, na região do município Turiaçu, na fronteira com o Pará. Os indígenas relataram os constantes conflitos e ameaças de invasão do território por madeireiros, o que obrigou a comunidade traçar estratégias de proteção da área, para garantir a segurança da população Ka’apor e expulsar os madeireiros.

Os representantes Ka’apor criticaram a falta de apoio da Fundação Nacional do Índio (Funai) e da Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai). “A Funai deveria apoiar com logística, mas é contra a gente. A Sesai também. E nós estamos lá sem ter sequer atendimento à saúde e muitas vezes temos que vim pra Belém”, revelou Itahu Ka’apor. Ele também fez um chamado a luta contra o governo. “Nós somos guerreiros, não vamos desistir e nossa luta continua. Não é o governo Bolsonaro que a gente tem que defender. Temos que, juntos com os parentes, defender a floresta, nossos filhos e netos”, afirmou Itahu Ka’apor.

O Seminário “Amazônia, entre saques e resistências” encerra nesta sexta-feira, 18, com grupos de discussão e a plenária final, que deve apresentar sínteses e proposições para fortalecer uma agenda de lutas, além de aprovar a Carta em defesa da Amazônia e de seus povos.