Resistência dos povos da Amazônia é debatida em seminário promovido pela ADUFPA

A luta dos povos da Amazônia contra os grandes projetos e as políticas de degradação da região são temas de debate desde ontem, 16, na UFPA, durante o Seminário “Amazônia, entre saques e resistências”, que a ADUFPA promove no Auditório do Instituto de Ciências da Educação (Iced). O evento segue até esta sexta-feira, 18, e reúne docentes, estudantes, indígenas, quilombolas, ribeirinhos, seringueiros e militantes dos movimentos sociais.

O Seminário iniciou rememorando as lutas dos povos da floresta com apresentação musical do professor da Faculdade de Economia, Giancarlo Fabretti, e uma mística do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), lembrando aqueles e aquelas que tombaram em defesa da Amazônia, mas que deixaram um legado de lutas pelo bem viver. “A programação do seminário privilegiou as pessoas que estão no cotidiano das comunidades enfrentando o latifúndio e os grandes projetos na Amazônia”, destacou o diretor-geral da ADUFPA, Gilberto Marques.

Já na primeira mesa de debates, o seminário expressou processos concretos de resistência e retomadas de territórios e promoveu reflexões sobre o processo histórico de colonização e exploração da Amazônia pelos diferentes governos e empresas transnacionais, como Vale, Albrás/Alunorte e Cargill. A mesa contou com a presença de Raimundinho Gomes, educador das Brigadas Populares de Marabá, Mário Espírito Santo, quilombola da comunidade Gibrié de São Lourenço em Barcarena, e Marcos Cardoso, ribeirinho da comunidade Nossa Senhora de Nazaré do rio Caripetuba em Abaetetuba.

No segundo dia, a programação continuou pela manhã abordando a resistência dos povos amazônidas no campo e na cidade. A discussão contou com exposições de Gracinda Magalhães, militante do Movimento Xingu Vivo para Sempre de Altamira, Leidiane Reges, do Movimento Quilombola do Maranhão (Moquibom), e Fátima Santana, liderança comunitária das margens do igarapé do Tucunduba em Belém.

A programação do seminário segue até esta sexta-feira e ainda estão previstos mesas de debates com a presença de indígenas, seringueiros e trabalhadores sem-terra. A expectativa é que o evento fortaleça uma agenda conjunta de lutas e aprove uma carta em defesa da Amazônia e de seus povos.