UFPA rejeita proposta de adesão ao Future-se

Por unanimidade, o Conselho Superior Universitário (Consun) da UFPA rejeitou integralmente, na manhã de hoje, 23, a proposta de adesão da instituição ao programa Future-se.  A decisão foi tomada após mais de três horas de discussão, quando os conselheiros apresentaram o acúmulo dos debates realizados nas unidades acadêmicas e manifestaram indignação diante dos ataques do governo federal às universidades públicas.

Os conselheiros aprovaram uma nota pública defendendo o fortalecimento das universidades federais e de sua autonomia. O documento critica os cortes orçamentários e a suspensão de bolsas de pesquisa e defende que as condições de financiamento das Instituições Federais de Ensino sejam resgatadas, para que as universidades possam continuar contribuindo com o desenvolvimento da soberania nacional.

No início da reunião, o reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho, indicou o posicionamento da Administração Superior contrário ao Future-se e apresentou dois aspectos centrais para rejeição do programa. “Primeiro é a introdução e uma lógica privatista na regulação das atividades acadêmicas, com a ideia de que a Universidade deve submeter seu planejamento didático-científico a entes privados. Segundo é a explícita interferência à autonomia universitária, ferindo os preceitos constitucionais”, explicou Emmanuel.

A diretoria da ADUFPA defendeu a rejeição integral ao Future-se e a construção de mobilizações em defesa da educação pública. “Para defender a universidade pública e gratuita, nós rejeitamos o Future-se. Porém, não basta que os conselheiros apenas rejeitem o programa. Nos dias 2 e 3 de outubro, ocorrerá a Greve Nacional da Educação, e nós temos que estar nas ruas dialogando com a sociedade em defesa desse nosso patrimônio, que é a universidade pública”, destacou o diretor-geral da ADUFPA, Gilberto Marques.

As mobilizações na UFPA pela rejeição do Future-se começaram cedo no dia de hoje. Desde as primeiras horas da manhã, a diretoria da ADUFPA, juntamente com estudantes, passou em salas de aula e promoveu arrastões nos corredores, convocando a comunidade universitária para acompanhar a sessão do Consun no prédio da reitoria. Delegações dos campi de Breves, Castanhal, Bragança e Cametá também estiveram presentes fortalecendo a luta.

Segundo o professor Gilberto Marques, a tarefa agora é continuar fortalecendo as iniciativas e mobilizações em defesa da educação pública. “Estamos nas ruas com uma Campanha em Defesa da UFPA, com diversos materiais de divulgação, e está em fase de elaboração uma Cartilha sobre o Future-se, para facilitar o diálogo com a sociedade. E nos dias 2 e 3 de outubro, precisamos paralisar nossas atividades e fazer uma forte Greve Nacional da Educação, para mostrar para Bolsonaro que não vamos aceitar que ele destrua as universidades públicas”, garante Gilberto.

Com a UFPA, já são 25 universidades federais que rejeitaram o Future-se. O programa interfere na autonomia universitária ao introduzir um novo modelo de gerenciamento, que precariza ainda mais o trabalho docente e representa a privatização da educação superior pública, ao repassar a gestão das Universidades para Organizações Sociais (OS), que irão administrar o patrimônio, contratar pessoal e até cobrar mensalidades de estudantes.