Mais de 30 mil pessoas protestam em Belém em defesa da educação pública

Sob forte sol, mais de 30 mil pessoas ocuparam as ruas de Belém na manhã deste dia 15 de maio, para protestar contra os cortes no Orçamento da educação pública pelo governo Bolsonaro. A manifestação que contou com a presença massiva de estudantes, marcou a Greve Nacional da Educação, que no Pará teve a adesão de docentes e técnico-administrativos da UFPA, da Ufra, da Unifesspa, da Ufopa, do IFPA, da Uepa e de trabalhadores das redes estadual e municipais de ensino.

Com as escolas e universidades paralisadas por 24 horas, os manifestantes se concentraram na Praça da República, no centro de Belém, desde as primeiras horas da manhã. Com livros, trabalhos científicos, faixas, cartazes, baterias e muita animação, eles caminharam pelas Avenidas Presidente Vargas, Assis de Vasconcelos e Castilhos França, passando pelo Ver-o-Peso, até à Assembleia Legislativa do Pará (Alepa), onde cobraram apoio dos parlamentares estaduais contra os cortes orçamentários e exigiram o pagamento imediato do Piso Salarial Nacional dos trabalhadores da rede estadual de ensino.

Ao longo da caminhada, os manifestantes chamaram a atenção da sociedade paraense para as ameaças e riscos que as universidades e a educação pública estão sofrendo, diante do bloqueio no Orçamento feito pelo governo federal. Somente na UFPA, o contingenciamento no Orçamento foi de 50% neste ano, sendo que as verbas de capital já tinham tido uma redução de 90% desde 2014, e o investimento de custeio estava congelado há cinco anos.

A manifestação contou com a participação de centenas de docentes da UFPA e também da reitoria da instituição. O campus central da Universidade amanheceu paralisado e com os portões fechados para entrada de veículos.

No carro-som do ato público, a diretora-geral da ADUFPA, Rosimê Meguins, deu o recado da resistência que o governo Bolsonaro vai enfrentar na UFPA. “Não vamos aceitar esse corte de verbas e a destruição da universidade pública, pois a educação não é mercadoria. Se esse governo não tem a educação como prioridade e não sabe governar, nas ruas, nós vamos mostrar o caminho”, afirmou Rosimê.

O diretor-geral eleito da ADUFPA, Gilberto Marques, também interviu no carro-som e, agitando os manifestantes, garantiu que a Greve Nacional da Educação é o Ensaio para uma forte Greve Geral no país no dia 14 de junho. “Esse é apenas o início de fortes mobilizações em todo o Brasil em defesa da educação pública e contra a Reforma da Previdência. Nós vamos parar esse país e vamos estremecer o governo Bolsonaro”, destacou Gilberto.

Os protestos neste dia 15 de maio ocorreram em todos os 26 Estados e no Distrito Federal. No Pará, quase 50 municípios realizaram manifestações em defesa da educação pública e contra os cortes no Orçamento.