Mulheres saem às ruas para protestar contra machismo e Reforma da Previdência

Cerca de 1.500 pessoas caminharam nas ruas de Belém na manhã desta sexta, 8, para celebrar o Dia Internacional de Luta das Mulheres. A manifestação começou no Mercado de São Brás, onde desde às 8 horas centenas de mulheres se concentraram em torno do ‘Banquetaço’, promovido por agricultoras paraenses em protesto contra o agronegócio e em defesa da agricultura familiar e da soberania alimentar.

Por volta das 10 horas, as mulheres saíram em caminhada percorrendo as Avenidas José Bonifácio, Duque de Caxias, Humaitá e Pedro Miranda até o prédio do Instituto Nacional da Seguridade Social (INSS), no bairro da Pedreira. No trajeto, as críticas à Reforma da Previdência deram o tom da manifestação, animada por baterias que puxavam palavras de ordem contra o presidente Jair Bolsonaro.

A ADUFPA participou da manifestação denunciando a Reforma da Previdência de Bolsonaro e fortalecendo o combate ao machismo, ao feminicídio e à desigualdade de gênero. “Esse dia é importante para intensificarmos o enfrentamento à Reforma da Previdência, que atinge brutalmente as mulheres. Então, é um dia para nos levantarmos e nos fortalecermos juntas, enfrentando essas medidas austeras que esse presidente quer aplicar”, afirmou a diretora-geral da ADUFPA, Rosimê Meguins, apontando a necessidade de uma greve geral no país, para derrotar a Reforma da Previdência.

Encaminhada recentemente por Bolsonaro ao Congresso Nacional, por meio da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 6/2019, o projeto de Reforma da Previdência prevê,  entre outros pontos, o aumento da idade mínima das mulheres para 62 anos, ignorando as jornadas duplas e até triplas de trabalho que elas possuem. A PEC impõe, ainda, a necessidade de contribuição por 40 anos para ter direito à aposentadoria integral, e acaba com a contagem de tempo especial para aposentadoria de professores da educação básica.

O protesto deste 8 de março exigiu, também, Justiça para a vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), cujo assassinato junto com o motorista Anderson Gomes completa um ano no próximo dia 14 de março, sem que qualquer culpado seja identificado e punido.

História – O 8 de março foi definido como Dia Internacional de Luta das Mulheres em alusão a uma manifestação que ocorreu nesta data em 1917, quando tecelãs e costureiras russas protestaram, em São Petesburgo, contra a fome e a I Guerra Mundial. O ato foi fundamental para eclosão da Revolução Russa no final de 1917. Anos depois, em 1921, a 1ª Conferência das Mulheres Comunistas fixou o dia 8 de março como data de homenagem às trabalhadoras de São Petesburgo, sendo posteriormente adotada pelos movimentos feministas de todo o mundo como um dia de luta das mulheres.