Resistência dos povos da Amazônia é retratada em Congresso do ANDES-SN

A mesa de abertura do 38º Congresso do ANDES-SN, que começou nesta segunda, 28, em Belém, destacou o histórico de resistência dos povos da Amazônia e mostrou a diversidade dos movimentos sociais, com a presença de sindicatos, entidades estudantis, frentes e movimentos ambientalistas, indígenas e quilombolas. As encantarias, lendas amazônicas e ritmos regionais também foram retratados por meio de apresentação da Associação Cultural Iaçá.

A presença na mesa do indígena da etnia Uirá, William Domingues, deu o tom da resistência dos povos da região, ao expressar as lutas de um dos principais alvos do governo Bolsonaro, que são os indígenas, cujos territórios são constantemente ameaçados de invasões por grileiros. “Se tem alguém nesse país que entende de resistir e de lutar, somos nós. Cada um de nós aqui tem uma opção, ou lutamos ou cedemos. Eu não vou estar do lado dos que vão ceder. Vou estar com a universidade pública, gratuita e de qualidade para todas e todos, até o dia que me expulsarem dela. Enquanto eu estiver como indígena, vou lutar por direitos iguais para todos”, garantiu William Domingues, que foi o primeiro professor indígena da UFPA.

A importância da resistência na atual conjuntura também foi destacada pelo representante da Associação Estadual das Comunidades Remanescentes de Quilombos, João Carlos Galiza, que ressaltou que, embora a abolição da escravatura tenha ocorrido no Brasil em 1988, apenas em 2013, houve reserva de vagas para quilombolas nas universidades públicas. “Queremos levar a experiência do Pará para outros estados, na luta para que as universidades públicas sejam democráticas e para todos, para as periferias, quilombos, indígenas e outras comunidades tradicionais”, afirmou.

A solidariedade às vítimas de Brumadinho (MG), onde uma barragem da Vale rompeu na última sexta, 25, deixando dezenas de trabalhadores mortos e centenas de desaparecidos, também foi expressa na mesa de abertura. O representante do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Robert Rodrigues, condenou o crime ambiental cometido pela Vale e afirmou que a empresa está tentando se desresponsabilizar pela tragédia. “A Vale está tentando deslegitimar as lutas dos movimentos populares e passar informações falsas”, alertou Robert.

O representante do MAB pediu o apoio dos docentes às brigadas que foram constituídas em Brumadinho para ajudar as vítimas do crime ambiental cometido pela Vale. Os interessados em contribuir podem fazer transferências ou depósitos bancários no Banco do Brasil, Agência 2883-5, conta corrente 18806-9, em nome do Movimento de Atingidos por Barragens.

Com informações de Lara Abib/Aduff