Abertura do Congresso do ANDES-SN faz um chamado à unidade contra os retrocessos no Brasil

Um chamado à unidade na diversidade para enfrentar os retrocessos no Brasil. Esse foi o tom da mesa de abertura do 38º Congresso do ANDES-SN, na manhã de hoje, 28, no Auditório do Centro de Eventos Benedito Nunes, na Universidade Federal do Pará (UFPA). O Congresso segue até o próximo dia 2 de fevereiro e reúne, em Belém, mais de 600 professores universitários de todo o país.

A programação do Congresso começou expressando a riqueza cultural da Amazônia, com uma apresentação da Associação Cultural Iaçá, que destacou as encantarias e lendas amazônicas e convidou os docentes a entrarem nas rodas de carimbó, não deixando ninguém ficar parado, em uma demonstração de disposição da categoria.

Durante a mesa de abertura, o presidente do ANDES-SN, Antônio Gonçalves, apontou os desafios da conjuntura e reafirmou o compromisso do Sindicato Nacional na defesa da democracia, das instituições públicas, das universidades e do trabalho docente. Ele lembrou do movimento da Cabanagem e do revolucionário Eduardo Angelim, que no século XIX, assumiu o comando da Província do Grão-Pará, destituindo a elite local do poder. “Que esse movimento de resistência nos sirva de inspiração e que tenhamos a capacidade de construir a luta necessária para este momento, e saiamos com um patamar superior da organização”, afirmou Antônio.

A diretora-geral da ADUFPA, Rosimê Meguins, deu as boas-vindas aos participantes, e lembrou o histórico de mobilização da entidade, que em 2019, completa 40 anos. Ela destacou a importância do movimento docente no enfrentamento à Ditadura Militar e defendeu a construção de unidades por mais direitos e em defesa das liberdades democráticas. “O maior desafio de nossa categoria e nosso sindicato é mostrar que não iremos aceitar retrocessos. E, daqui pra frente, o que vamos fazer vai ser determinante e espero que, assim como 1979 quando fundamos nossa seção sindical, vamos enfrentar os golpes e as tentativas de retrocesso que estão sendo colocadas para nós”, ressaltou.

Rosimê Meguins fez, ainda, críticas às políticas neoliberais, que precarizam as condições de trabalho e de ensino nas universidades públicas. “Precisamos nos contrapor a essa racionalidade neoliberal que se impõe por meio de manobras que maquiam a realidade e a opressão que sofremos”, apontou.

O reitor da UFPA, Emmanuel Tourinho, criticou as medidas restritivas no Orçamento da União, falou sobre os ataques à autonomia universitária e destacou o papel das Universidades públicas na defesa de um projeto de sociedade que garanta a soberania do país. “Não podemos querer apenas preparar bons técnicos profissionais. Temos que promover a cidadania, a crítica e a ciência”, defendeu Emmanuel, alertando sobre as disparidades regionais e a necessidade de defesa da Amazônia e de combate aos grandes projetos que só expropriam riquezas da região.

O representante da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas, Saulo Arcangeli, indicou um calendário de lutas contra os ataques do novo governo, com destaque para a Assembleia Geral dos Trabalhadores, que vai ocorrer no dia 20 de fevereiro, na Praça da Sé, em São Paulo. Ao analisar a conjuntura, ele ressaltou a resistência às políticas de austeridade fiscal pelo mundo. “Os ajustes fiscais estão sendo aplicados em todo o mundo, mas também há resistências, como os coletes amarelos na França e a greve dos professores nos Estados Unidos”, explicou.

O diretor da UNE, Adriano Mendes, defendeu a unidade entre os estudantes, técnico-administrativos e professores em defesa da educação pública, um dos setores mais atacados pelo atual governo, segundo ele. “Temos, por exemplo, o projeto Escola sem Partido, que na verdade é um projeto de Escola com Mordaça, que quer limitar a criticidade, para impedir o avanço de um projeto de sociedade voltado para o povo”, pontuou.

A mesa de abertura do 38º Congresso do ANDES-SN expressou, também, a diversidade dos movimentos sociais, com a presença de José Carlos Galiza, da Associação Estadual das Comunidades Remanescentes de Quilombo; de William Domingues, primeiro professor indígena da UFPA e membro da etnia Uirá, que criticou os ataques do novo governo aos territórios indígenas; e de Robert Rodrigues, do Movimento de Atingidos por Barragens (MAB), que falou sobre o crime ambiental praticado pela Vale em Brumadinho e pediu apoio do movimento docente às brigadas que foram constituídas no local, em solidariedade ao povo da região.

A abertura contou, ainda, com a participação da diretora do Sindtifes, Taís Ranieri; do coordenador-geral do DCE da UFPA, Davi Lima; do dirigente estadual da CSP-Conlutas, Silvio Oliveira; da integrante da Frente Nacional contra a Privatização da Saúde, Rafaela Fernandes; e da diretora da Fenet, Emanuele Santos. Além do presidente Antônio Gonçalves, o ANDES-SN também foi representado na composição da mesa pela secretária-geral Eblin Farage, pela 1ª tesoureira nacional, Raquel Dias, e pelo representante da Regional Norte II, Emerson Duarte.

Revista – A primeira mesa do 38º Congresso do ANDES-SN, também, foi marcada pelo lançamento da edição 63 da Revista Universidade e Sociedade, que conta com artigos sobre autonomia universitária e a Emenda Constitucional 95, além de lembrar os 50 anos do Ato Institucional nº 5 e os 100 anos da Reforma Universitária de Córdoba, que ocorreram em 2018. A mesa encerrou ao som do Hino da Internacional, entoado no saxofone pelo professor da Escola de Música da UFPA, Marcos Cardoso.

Fotos: Eraldo Paulino/Adufpa