Docentes das UFPA aprovam paralisação de 24 horas e constituição de Frente Ampla

Professores da UFPA decidiram paralisar as atividades docentes, durante 24 horas, no próximo dia 5 de dezembro e a constituição de uma Frente Ampla em defesa das liberdades democráticas, da educação pública e contra a Reforma da Previdência. As deliberações integram um conjunto de ações aprovadas em assembleia geral da ADUFPA na manhã de hoje, 14, no hall da reitoria da UFPA.

A primeira reunião dessa Frente Ampla vai ocorrer no próximo dia 19 de novembro, às 10 horas, na sede administrativa da ADUFPA, nos Altos do Vadião. Serão convidados representantes dos

técnico-administrativos e estudantes e militantes dos diversos movimentos sociais. A expectativa é que a Frente se constitua enquanto um espaço de mobilizações, resistência, debates, estudos e escuta coletiva.

A assembleia também aprovou participação da categoria na mobilização convocada pelas centrais sindicais em defesa da aposentadoria e da Previdência pública no dia 22 de novembro, e na panfletagem em frente à Superintendência Regional do Trabalho, em Belém, no dia 26 de novembro, contra as medidas do presidente eleito Jair Bolsonaro que atacam o Ministério do Trabalho e Emprego.

Durante a assembleia, a assessora jurídica da ADUFPA, Ana Kelly Amorim, deu orientações para garantia constitucional da liberdade de cátedra e falou acerca das ações do coletivo jurídico do ANDES-SN para resguardar a segurança e os direitos dos professores na atual conjuntura. Um material informativo com orientações sobre como proceder em casos de ameaças e intimidações nas salas de aula foi distribuído aos docentes.

Após debates e relatos de ameaças e intimidações já sofridas dentro da própria UFPA, os professores decidiram propor ao Conselho Superior de Ensino, Pesquisa e Extensão (Consepe) a construção de uma resolução que regulamente a gravação de imagens e áudios na UFPA, garantindo a liberdade de cátedra e os direitos autorais dos docentes. “A Universidade tem que garantir nossa segurança, nossas condições de trabalho e nossa liberdade de exercer a docência na instituição”, defendeu a diretora-geral da ADUFPA, Rosimê Meguins, orientando os docentes a procurarem imediatamente a seção sindical, caso sejam tenham ameaçado o seu direito de liberdade de cátedra.

Ainda na assembleia, Rosimê Meguins fez uma análise conjuntural, destacando o fortalecimento de ideias neoliberais pelo mundo e, em especial, no Brasil com a eleição de Jair Bolsonaro. “As ideias neoliberais difundidas compreendem a sociedad

e como um mercado e os sujeitos como empresas”, destacou Rosimê, apontando a necessidade de construção de uma Frente Ampla para barrar o conservadorismo e a retirada de direitos.

Os docentes da UFPA aprovaram, ainda, a convocação de assembleia permanente, para facilitar a mobilização da categoria e duas moções: uma de repúdio ao deputado federal paraense Eder Mauro (PSD/PA) e outra em apoio ao dirigente do ANDES-SN e professor da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), Cláudio Mendonça, que na tarde de ontem, 13, foi intimidado pelo parlamentar com gestos que lembravam uma arma, durante sessão da Comissão Especial de Educação da Câmara Federal que debatia o projeto Escola sem Partido.