Mesmo negando ou amenizando os efeitos da crise, o governo Lula tomou, e pretende tomar, suas medidas para enfrentá-la, empréstimos e isenção fiscal aos banqueiros e empresários e corte de verbas dos serviços públicos e congelamento salarial de dez anos aos servidores federais.
Apesar de afirmar à população, desde o início, que a crise econômica que abalou o mundo todo era apenas uma “marolinha” que não teria grandes efeitos aqui no Brasil, o certo é que o governo Lula, consciente de que a coisa era feia, tomou, e está tomando, várias medidas para tentar contornar o vendaval econômico que começou com a quebra do setor imobiliário nos EUA, totalmente contaminado pela especulação financeira, fruto da emissão de títulos “podres” que não resistiram ao confronto com a realidade. Aliás, assim é que se sustenta o capitalismo: com a exploração dos trabalhadores pelos que detêm o capital e não produzem riqueza; apenas exploram e/ou especulam, um mecanismo vicioso e sujeito a crises cíclicas como essa.
Curiosamente, as medidas tomadas pelo governo Lula beneficiaram diretamente o empresariado, com a oferta de empréstimos, redução de impostos, como o IPI e etc. Para os trabalhadores, restou apenas pagar a fatura trazida pela crise. No setor privado, essa fatura foi representada principalmente pela demissão em massa e pelo aumento do desemprego, já alarmante. Já no setor público, o “remédio”, amargo para os trabalhadores foi maior, e se traduz em corte de verbas para gastos e investimentos. Assim é que o governo Lula, através de sua base aliada no Senado, aprovou silenciosamente, no final do ano passado, o projeto de Lei, PLS 611, que impede novos concursos públicos para reposição de pessoal, reduz drasticamente os gastos com investimentos nos serviços públicos, além de congelar por dez anos a folha global de pagamento dos servidores federais.
Não temos dúvidas de que essa política de corte de verbas no serviço público - que simplesmente ignora o direito dos servidores federais à revisão anual de salários, tendo em vista a correção inflacionária e a recomposição de perdas históricas, e promove os cortes que refletirão na queda da qualidade do atendimento à população - foi a forma escolhida por Lula para, mais uma vez, livrar a cara de seus novos aliados: os banqueiros, empresários, latifundiários e políticos corruptos, e garantir, em outubro próximo a eleição de sua ministra, Dilma Roussef, a escolhida para dar continuidade a essa política de um partido que se diz dos trabalhadores, mas que governa para os milionários.
Marcos Soares SINDTIFES-Pará e Cedício de Vasconcellos Monteiro SINTSEP-Pará