Um impasse entre professores e reitoria da Universidade Federal do Pará (UFPA) em relação ao pagamento de diferença de reajuste salarial parece estar próximo. Uma audiência realizada, ontem, com o reitor Carlos Maneschy, sinalizou a possibilidade de a Universidade efetuar o pagamento reivindicado judicialmente pela categoria. "O reitor se manifestou sensível à reivindicação dos professores e prometeu consultar a Advocacia Geral da União (AGU) sobre o processo que está tramitando na Justiça Federal", disse a secretária geral da Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa), Rosimê Meguins, se referindo ao pagamento retroativo de uma diferença de 3,17% de reajuste que foi dado aos militares, em 1994, em detrimento do percentual concedido aos servidores civis da União.
Rosimê Meguins, que assumirá ainda este mês a diretoria da Adufpa, explicou que a reunião com o reitor Carlos Maneschy foi positiva. "Essa reunião mostrou que há uma disposição de buscar uma solução a curto prazo", disse Rosimê, acrescentando que o reitor disse durante o encontro que irá, inclusive, retirar a ação judicial impetrada em seu nome para não parecer que ele está legislando em causa própria. "Ficou acertado que participaremos de uma reunião com a AGU e a reitoria para que possamos resolver essa questão no mais curto espaço de tempo", comemorou a secretária da Adufpa, acrescentando que a data da audiência da AGU ainda será marcada.
Audiência
Durante a audiência de ontem, com a reitoria, os docentes entregaram ao reitor um abaixo-assinado, reivindicando o pagamento do valor devido. O diretor da Adufpa, professor Orlando Cassique, explicou que a diferença no pagamento de reajustes pagos a militares e servidores civis da União foi de 3,17%. O que está sendo reivindicado é justamente o pagamento do retroativo desse percentual desde 1994, quando ele foi concedido. O detalhe é que, segundo ele, na época do reajuste dado aos militares já havia legislação que garantia isonomia entre servidores. Os docentes também reivindicam a incorporação do percentual nos vencimentos mensais. A proposta dos professores foi reafirmada em assembleia da categoria, realizada, ontem, por volta das 10 horas, no pátio da reitoria, antes da realização da audiência.
Processos
Desde 2005, um total de 147 processos, que envolvem aproximadamente 1,5 mil professores, tramita na 5ª Vara da Justiça Federal, sendo que apenas um deles obteve sentença favorável à incorporação e à quitação dos valores retroativos. "A UFPA admite a dívida em juízo, mas com um valor abaixo do calculado pela Adufpa e pela própria Contadoria da Justiça Federal. Por essa razão, decidimos que vamos solicitar que a Universidade pague aos professores o valor que ela assume como devido, o que não inviabilizará que nós continuemos pleiteando a diferença em juízo", explicou Cassique.