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ADUFPA DEBATE SOBRE ENEM
18/05/2010

Confira a gravação do debate

O último debate promovido pela ADUFPA no dia 13/04, no auditório do Instituto de Ciências Jurídicas (ICJ), sobre o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) comprovou que a avaliação é inviável para a admissão de novos alunos nas universidades. Além de ferir a autonomia das instituições de ensino, o Enem consegue ainda ser mais excludente que o vestibular tradicional por favorecer apenas a elite estudantil da região sudeste do Brasil. Estudantes com maior poder aquisitivo têm fácil acesso às universidades com vagas disponibilizadas pelo Sistema de Seleção Unificada (Sisu) porque possuem recursos para se preparar para o Exame.

Durante o debate, o professor Roberto Boaventura, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), contestou de forma rigorosa o Enem, apontando seus aspectos negativos durante o debate. Participaram também da mesa, a profª Vera Lúcia Jacob e a pró-reitora de Ensino e Graduação, profª. Marlene Freitas. A mediação ficou por conta da então secretária geral da ADUFPA, profª Rosimê Meguins.

Prof. Roberto Boaventura criticou a atuação do governo Lula em apresentar o Enem como se fosse uma das melhores propostas já feitas pelo Executivo às universidades. "Ele praticamente já foi imposto para as universidades somente as corajosas se recusaram a isso porque a barganha por trás é imensa", disse Boaventura.

Dia 25 de março de 2009, o Ministério da Educação (MEC) mostrou o Enem ao país como alternativa de unificar o processo seletivo das universidades brasileiras. No dia seguinte, foi formalizada a proposta em reunião com a Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior (Andifes). Por trás do falso discurso de democratização do ensino, cria-se uma ilusão de que o aprovado, após fazer a prova pela internet, poderá ir para qualquer lugar do país, porém sabe-se que as universidades não têm condições de abrigar calouros oriundos de outros estados. Seriam necessários de R$ 1,4 mil a R$ 1,6 mil considerando as necessidades de cada jovem para mantê-lo com apoio auxílio-transporte, lazer, moradia.

Segundo Boaventura, o ministro da Educação, Fernando Haddad chegou a soltar a pérola "Queremos ter um exame que dê conta do conteúdo, mas de forma inteligente". Com essa afirmação, Haddad desqualifica as universidades e os professores que elaboraram os processos seletivos. O Enem levanta suspeitas por conta da última fraude ocorrida no segundo semestre de 2009. Mais de R$ 100 milhões foram gastos com a aplicação de um novo exame, dinheiro que poderia ser aplicado em outras necessidades da educação.

"O Enem é uma afronta às próprias diretrizes à educação. O vestibular é uma verdadeira aposta em bolsa de valores. Ninguém escolhe um curso pela facilidade de ser aprovado. O Enem favoreceu centralmente isso. Ele arranca dos jovens a tendência acadêmica. Fica apostando onde você, conforme a pontuação que conseguiu, poderia obter uma vaga em uma universidade qualquer", justificou Boaventura.

Surpreendendo a todos com uma postura contra o Enem, a pró-reitora de Ensino e Graduação, profª. Marlene Freitas concordou com as críticas do professor da UFMT. "Desde o primeiro momento quando o MEC começou a anunciar o Enem, confundindo o Enem com o um exame do ensino médio, como um instrumento um mecanismo de seleção para alunos da graduação, eu já vi alguma coisa estava errada, porque nós com o processo seletivo, não é nosso papel avaliar ensino médio", disse a professora.

Marlene Freitas também não aprovou as questões do Enem após reconhecer vários exemplos de enunciados que falam de generalidades e não de conteúdo. Profª. Marlene disse ainda não tinha ouvido um depoimento tão real como o de Boaventura sobre o Sisu, mas revelou sobre a possibilidade do Enem ser usado como uma das etapas do proceso seletivo da UFPA, o que acabou ocorrendo.

"Há um discurso politicamente percebo bem partidário, a ponto do próprio ministro do supremo tribunal eleitoral puxar a orelha do presidente dizer que estar fazendo campanha. Agora são vocês que vão pagar a conta, essa multa. Qualquer cidadão que se respeite não aceita isso", enfatizou a pró-reitora.

A professora ressaltou ainda a importância dos dirigentes na universidade e percebe que atualmente nao se questiona mais os projetos das instâncias superiores da educação. "Tem uma coisa que me angustia, que me inquieta. Há muita docilidade nos institutos em relação a determinadas posições e isso não é que eu defenda certa rebeldia. Não acredita em uma coisa tão uniforme, acadêmica. São decisões que passam uniformes. Parece coisa de partido único e isso me angustia um pouco de ver que em uma universidade rica e que tem uma qualificação como essa hoje nós temos motivos de nos orgulhar pelo número de doutores, mestres, da produção científica, nós temos motivo de orgulho e aí tu te depara com essa docilidade. Em relação a determinadas questões que gritam, que está anunciando algo de errado. Os institutos têm um papel relevante nessas questões", reforçou a pró-reitora.

Fonte: Adufpa