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Docentes avaliam a adoção do Enem
14/04/2010

A Associação dos Docentes da Universidade Federal do Pará (Adufpa) debateu na manhã de ontem sobre a adoção do Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) como alternativa de ingresso no novo modelo de processo seletivo da UFPA. Na ocasião, foram apontadas falhas e deficiências desse sistema avaliativo e exemplificados problemas das universidades que aderiram ao Enem como método avaliativo.

Segundo a professora de psicologia da educação Rosimê Meguins, mediadora do debate, uma das maiores falhas do Enem é que ele não leva em conta a regionalização dos estudantes. Com isso, a prova feita por alunos do Centro-Sul do País é a mesma realizada pelos que moram no interior do Estado do Pará, por exemplo. "Ele deveria ter uma seleção voltada à nossa realidade. Só para se ter uma ideia, das 90 questões elaboradas para o último exame - que teve a prova vazada - apenas 6 estavam ligadas aos conteúdos aplicados no ensino médio. As 84 eram relacionadas a conhecimentos gerais, nas quais as alternativas corretas se apresentavam de forma confusa", argumentou.

Outro problema apontado dentro da avaliação do Enem é a falta de organização e planejamento do Ministério da Educação (MEC) - que o administra - para dar suporte aos candidatos aprovados pela avaliação. "Ao disponibilizar a inscrição pela internet, o Enem permitiu que pessoas de várias localidades se candidatem a vaga de qualquer faculdade do País. O dilema é que quando aprovado, o estudante não tem como arcar com os custos de sua passagem e moradia, então, acaba por desistir da vaga", observou a professora. "Exemplos dessa situação ocorreram na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), que adotou o Enem como único modelo avaliativo e hoje tem muitas vagas ociosas", acrescentou o professor Roberto Boaventura da UFMT, que participou do debate.

A educadora Rosimê apontou, ainda, que os maiores índices das provas do Enem são de escolas particulares. Por isso, adotá-lo como parte do processo seletivo da UFPA favoreceria o ingresso de alunos da rede privada de ensino. "Apenas uma parte se beneficiaria.", comenta.

Fonte: O Liberal/ Jornal Amazônia