ADUFPA - Cortes deixam pesquisa de pires na mão

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Publicado em 24/09/2017

Cortes deixam pesquisa de pires na mão

O governo federal aplicou corte de 44% no orçamento do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), que, por sua vez repassou o mesmo percentual de corte aos orçamentos dos institutos de pesquisa vinculados ao MCTIC. No Pará, diversas instituições foram prejudicadas com a medida. Para chamar atenção e denunciar à população a situação das entidades no Estado no domingo passado houve ato em frente ao Instituto de Ciências e Artes da Universidade Federal do Pará (UFPA), na avenida Presidente Vargas, na Campina. No mesmo dia, mais cedo, às 9h, em frente ao Museu Paraense Emílio Goeldi, em Nazaré, houve um abraço ao prédio da instituição. “Nós dos sindicatos sabemos que estamos sendo afetados, bem como toda a classe trabalhadora brasileira. Precisamos dialogar com a população e os atos objetivam denunciar a situação que essas entidades atravessam em nível local, em meio à crise nacional. Em paralelo, os atos terão apresentações artísticas e culturais dos alunos das instituições, permitindo com que as pessoas sejam informadas acerca da gravidade das ameaças ao desenvolvimento dessas instituições de ciência e tecnologia no Estado”, afirmou a diretora geral da Associação dos Docentes da UFPA (Adufpa), Rosimê Meguins.

 

Segundo informações da Reitoria da UFPA, divulgadas em meados de agosto deste ano, a instituição foi bastante prejudicada com os cortes nos investimentos para a educação. Em 2014, o orçamento da UFPA para investimentos era de R$ 80 milhões. Em 2017, o orçamento caiu para R$ 40 milhões, dos quais somente R$ 12 milhões foram liberados. O restante está contingenciado. A UFPA está com 40 obras inacabadas e necessita de R$ 100 milhões para conclusão e aquisição de equipamentos para o pleno funcionamento dos prédios. Nos seus 60 anos de existência, a mais antiga universidade de Amazônia conta hoje com 50 mil alunos e atende a 77 municípios do Pará.

 

Com os cortes, o Museu Goeldi que detinha um orçamento original de R$ 12.671.909,00, sofreu contingenciamento de R$ 5.775.639,99, ou seja, restaram um pouco mais de R$ 7 milhões e R$ 100 mil reais para custeio e capital no ano em curso. “O orçamento do Museu Goeldi é consumido quase que totalmente (98%) na Acão 4125, destinado para aplicação na infraestrutura funcional das quatro bases físicas da instituição (manutenção predial e limpeza interna, serviços de segurança, ações museais, vigilância, fornecimento de energia elétrica, alimentação do plantel faunístico do Parque Zoobotânico, fornecimento de água e esgoto, infraestrutura de tecnologia da informação,correios, fornecimento de combustíveis, estagiários, insumos e manutenção de laboratórios e coleções científicas, manutenção de veículos)”, informou a assessoria de comunicação do Goeldi.

 

Ainda nessas instituições a pesquisa também sofre com a redução do orçamento das agências de fomento, que destinam recursos diretamente aos grupos de pesquisa, ou para a própria instituição, como a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), no caso do Goeldi, e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), na UFPA. Segundo a assessoria de comunicação da UFPA, as bolsas são mantidas. “Mas, pela falta de editais das agências, os grupos de pesquisa têm deixado de iniciar novos projetos”.

 

“Por enquanto não houve redução no número de bolsas. Até o presente momento contamos com 87 bolsistas no Programa de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), três bolsistas do Programa de Bolsas de Iniciação em Desenvolvimento Tecnológico e Inovação (Pibit) e 49 bolsistas do Programa de Capacitação Institucional (PCI). Cabe ressaltar que até o final de setembro ou início de outubro o Museu saberá se continua com o mesmo número de bolsas PCI”, afirmou a assessoria de comunicação do Museu.

 

CONSUMO

A diretora geral da Adufpa reiterou que os recursos do CNPq e Capes também foram reduzidos e contingenciados, e critica o fato de a UFPA ainda não saber quantificar as bolsas e pesquisas. “As agências foram também prejudicadas, mas não temos a informação de quantas bolsas são mantidas e perdidas, quantos grupos conseguiram receber financiamento externo e o valor. Isso é uma incógnita e as coisas não são ditas claramente. O reitor foi enfático ao dizer que a ciência é afetada porque as instituições de ensino, pesquisa e extensão recebem or- çamento inferior e as agências de fomento também tiveram cortes de recursos”, afirmou.

 

Nesse contexto de corte no orçamento, a universidade estimula a busca de financiamento de empresas privadas e venda da sua mão de obra altamente qualificada pelo investimento público. “Esse bem agora é de consumo para aquela empresa e deixa de ser divulgada no interior da universidade como um bem coletivo e produzido para promover desenvolvimento da própria instituição e formação de qualidade aos profissionais e estudantes envolvidos. Até a estrutura de instituição é colocada à disposição da empresa, a qual terá lucros e vai se beneficiar, porque está na perspectiva do mercado de capital”, criticou Rosimê Meguins.

 

Fonte: Jornal O Liberal, edição de 24/09/2017